NOVA YORK (AP) - Um novo estudo aponta que o aumento preocupante das mortes por câncer colorretal entre adultos mais jovens está concentrado em pessoas com menor escolaridade, o que sugere que fatores socioeconómicos podem estar a impulsionar essa escalada.
Mortes de celebridades - incluindo Chadwick Boseman em 2020 e James Van Der Beek no início deste ano - chamaram atenção para o crescimento das mortes por câncer colorretal em faixas etárias mais novas. Ainda assim, o artigo descreve-se como o primeiro a detalhar quais grupos são mais atingidos por esse avanço alarmante.
Câncer colorretal em adultos jovens: o papel da escolaridade
Os investigadores observaram que, ao longo dos últimos 30 anos, a alta nas mortes por câncer colorretal em adultos jovens ocorreu quase totalmente entre pessoas sem um diploma universitário de quatro anos.
Isso não significa, claro, que ter ensino superior “imunize” alguém contra câncer do cólon. Em vez disso, especialistas explicam que a escolaridade funciona como um marcador indireto de outros problemas: quem não tem diploma tende a ganhar menos, alimentar-se pior, praticar menos atividade física e aceder a menos cuidados médicos.
Embora não seja totalmente inesperado que o risco de morte esteja mais concentrado entre os menos favorecidos, o estudo publicado na quinta-feira na JAMA Oncology é o primeiro trabalho nacional a mostrar essa ligação de forma clara, segundo o Dr. Paolo Boffetta, investigador do Stony Brook Cancer Center, em Nova York, que não participou da pesquisa.
O que os dados mostram (1994–2023)
Investigadores da American Cancer Society analisaram dados governamentais de mais de 101,000 adultos jovens, com idades entre 25 e 49 anos, que morreram de câncer colorretal de 1994 a 2023.
No total, a taxa de mortes por câncer colorretal nessa faixa etária subiu de cerca de 3 por 100,000 para cerca de 4 por 100,000. Porém, entre as pessoas que estudaram apenas até o ensino médio, a taxa aumentou de 4 para 5.2 por 100,000. Já entre aqueles com pelo menos diploma de bacharelado, a taxa não mudou, mantendo-se em 2.7 por 100,000.
Ahmedin Jemal, primeiro autor do estudo, afirmou que os resultados reforçam a necessidade de conscientização pública sobre câncer colorretal e de que adultos mais jovens levem a sério as recomendações de rastreio.
Sintomas e fatores de risco do câncer colorretal
Os sintomas podem incluir:
- sangue nas fezes ou sangramento retal;
- alterações no hábito intestinal, como diarreia, prisão de ventre ou afinamento das fezes que dure mais do que alguns dias;
- perda de peso não intencional;
- cólicas ou dor abdominal.
Ainda não se sabe ao certo o que está por trás do aumento das mortes em pessoas mais jovens. Contudo, cientistas apontam fatores de risco como obesidade, falta de atividade física, dieta rica em carne vermelha ou processada e pobre em frutas e legumes, além de histórico familiar de câncer colorretal.
Estimativas e mudanças no rastreio
A American Cancer Society estima que mais de 158,000 casos de câncer colorretal serão diagnosticados nos EUA neste ano. No panorama geral, é o segundo câncer que mais mata no país, atrás apenas do câncer de pulmão, e deve causar mais de 55,000 mortes em 2026.
Entre adultos com menos de 50 anos, o número de óbitos corresponde a cerca de 7% do total - aproximadamente 3,900. No início deste ano, investigadores da entidade relataram que a mortalidade por câncer colorretal em norte-americanos com menos de 50 anos aumentou 1.1% ao ano desde 2005, tornando-se agora o câncer mais letal nesse grupo etário.
Em 2021, a American Cancer Society alterou as suas diretrizes de rastreio, reduzindo de 50 para 45 anos a idade em que adultos nos EUA devem começar a fazer o exame.
Por que a escolaridade foi o indicador analisado
Por que os autores do estudo de quinta-feira analisaram escolaridade - e não outros fatores?
Certidões de óbito não detalham quanto dinheiro a pessoa tinha, nem a maioria dos demais aspectos de sua vida. Porém, registram o nível de escolarização concluído.
Além disso, outras pesquisas indicam que esse dado costuma acompanhar estatísticas de renda, plano de saúde, prática de atividade física e doenças crónicas. Assim, a escolaridade funciona como um indicador substituto, mas não permite afirmar, por exemplo, se a pessoa tinha ou não seguro de saúde.
“O foco na escolaridade é realmente (por causa de) algo que estava disponível nos dados”, observou Boffetta.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário