Há dois pontos principais que ficam claros na rodada mais recente de testes do Euro NCAP: o quanto os assistentes de segurança (ADAS) pesam na nota final e como o aumento de peso e de porte dos carros pode piorar a compatibilidade entre veículos em uma batida.
No total, o Euro NCAP avaliou 16 modelos. A lista inclui estreias importantes do mercado, como o Dacia Bigster, o Kia EV3 e o Renault 4 elétrico.
Analisar cada carro em detalhe seria cansativo, mas alguns resultados chamam atenção: as três estrelas do Dacia Bigster, as quatro estrelas de modelos franceses e, no caso do Kia EV3, duas notas diferentes dependendo da presença (ou não) de itens de segurança.
Assistência à Segurança (ADAS) no Euro NCAP: o caminho para cinco estrelas
A influência da área Assistência à Segurança na classificação geral fica evidente em modelos como Peugeot 3008 e 5008, Renault 4 E-Tech e também no sul-coreano Kia EV3.
Todos eles terminaram com quatro estrelas e, justamente nessa categoria, registraram a pior pontuação - enquanto nas demais áreas os resultados foram bem positivos.
Esse peso aparece com ainda mais clareza na avaliação dupla do Kia EV3: com e sem o pacote opcional ADAS (Sistemas Avançados de Assistência ao Condutor). A inclusão desse pacote elevou a nota nessa categoria de 67% para 78%, o que foi suficiente para o modelo passar de quatro para cinco estrelas.
Dacia Bigster: por que ficou com três estrelas
No caso do Dacia Bigster, a nota de três estrelas reflete a estratégia da marca quando o tema é segurança. Por um lado, a Dacia afirma que todos os seus modelos atendem às regras mais recentes e rigorosas da União Europeia (GSR2), aplicadas integralmente em julho de 2024.
Por outro, a marca argumenta que os padrões mais exigentes de entidades independentes como o Euro NCAP - que não são obrigatórios por lei - não estão alinhados às expectativas do consumidor e acabam contribuindo para encarecer os veículos.
Para manter os preços baixos que tornaram a marca conhecida - inclusive no Bigster, o maior Dacia já lançado - alguns equipamentos acabam ficando de fora, o que derruba a pontuação no Euro NCAP. Por isso, não chega a surpreender o resultado de apenas 57% em Assistência à Segurança (segurança ativa).
Além disso, o Bigster também deixou a desejar em alguns pontos de Proteção de Adultos (testes de colisão). Parte disso é explicada pela falta de certos itens, como um airbag central entre os ocupantes dianteiros.
O teste que está preocupando o Euro NCAP
Apesar dessas ressalvas, os resultados dessa bateria de testes do Euro NCAP foram, no geral, bastante positivos. Ainda assim, há uma tendência que vem ganhando força e já preocupa a entidade: o aumento da incompatibilidade entre veículos em colisões frontais.
Em parte, isso está ligado ao avanço de carros maiores e mais pesados - impulsionado pela popularização dos SUVs e pela eletrificação. Nos últimos 10 anos, o peso médio dos veículos novos aumentou 100 kg e a expectativa é de que continue subindo nos próximos anos (fonte: Green NCAP).
Na prática, isso significa que, em uma colisão frontal parcial (50%) - o tipo de batida entre veículos mais comum - quando dois carros se chocam, o mais leve pode sofrer consequências mais graves. O Euro NCAP já identificou casos específicos em que essa incompatibilidade é especialmente séria - e o tema deve voltar à pauta em breve, com mais detalhes.
O Dr. Aled Williams, diretor do programa Euro NCAP, comentou que sabe que “os construtores têm a capacidade de conceber estruturas frontais que podem gerir melhor as proporções e massa do veículo e a mudança violenta do momento que acontece numa colisão frontal”.
Por enquanto, o Euro NCAP afirma que seguirá acompanhando essa tendência antes de propor ou sugerir medidas mais concretas.
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