Depois de uma análise abrangente das pesquisas mais recentes sobre hipertensão, as diretrizes de pressão arterial nos Estados Unidos foram atualizadas para reduzir, como nunca antes, os riscos futuros de doença cardíaca e demência.
Essas diretrizes revisadas substituem a atualização anterior, realizada em 2017, e resultam de um esforço conjunto da American Heart Association (AHA), do American College of Cardiology (ACC) e de outras instituições de referência nos EUA.
O foco das mudanças nas diretrizes de hipertensão
A maior parte das alterações ajusta recomendações já existentes para profissionais de saúde, com atenção especial a pessoas que já se enquadram em faixas de risco, têm condições médicas relacionadas ou estão grávidas. Ainda assim, no conjunto, as orientações continuam importantes para todos, independentemente do estado atual de saúde.
Nova ferramenta: pontuação PREVENT (previsão do risco de eventos de DCV)
Uma das novidades incorporadas às diretrizes é a pontuação PREVENT (Predicting Risk of CVD Events), um calculador de risco cardiovascular baseado em dados de 3.2 milhões de indivíduos diversos, coletados entre 1992 e 2022. A expectativa é que essa pontuação ajude a estimar o risco de um conjunto mais amplo de possíveis problemas.
Ao mesmo tempo, segue crescendo a evidência de que a pressão alta aumenta a probabilidade de doenças cardiovasculares e neurológicas, além de potenciais complicações nos rins, nos olhos e no metabolismo do organismo.
"Pressão alta é o fator de risco mais prevalente e modificável para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, incluindo doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, fibrilação atrial, AVC, demência, doença renal crônica e mortalidade por todas as causas", explicam as diretrizes recém-publicadas.
Como interpretar a leitura da pressão arterial e os limites
A medida da pressão arterial indica a força do sangue contra as paredes das artérias. Ela é composta por dois valores: o número maior, apresentado primeiro, é a pressão sistólica (a pressão quando o coração bate); o número menor, em seguida, é a pressão diastólica (a pressão entre os batimentos).
Os pontos de corte para pressão alta não foram alterados: a pressão normal fica abaixo de 120 mm Hg (milímetros de mercúrio) na sistólica e abaixo de 80 mm Hg na diastólica. Já a pressão arterial elevada corresponde a 120-129 mm Hg na sistólica e abaixo de 80 mm Hg na diastólica.
A hipertensão é descrita em dois estágios. O estágio 1 é definido como 130-139 mm Hg na sistólica ou 80-89 mm Hg na diastólica; qualquer valor acima disso, em um dos dois números, é classificado como estágio 2. Quando a leitura ultrapassa 180 mm Hg na sistólica ou 120 mm Hg na diastólica, é preciso entrar em contato com seu médico imediatamente - ou acionar os serviços de emergência se houver sintomas como dor no peito ou falta de ar.
Tratamento, uso de medicamentos e meta de controle
Segundo as diretrizes, ao atingir pressão alta, pode ser necessário que um médico prescreva medicamentos. Na Europa, em geral, os tratamentos só começam quando o limite de 140/90 mm Hg é alcançado, a menos que outros fatores de saúde estejam presentes.
"O objetivo geral do tratamento da pressão arterial é <130/80 mm Hg para todos os adultos, com considerações adicionais para aqueles que necessitam de cuidados institucionais, têm uma expectativa de vida prevista limitada ou estão grávidas", afirmam as diretrizes.
Recomendações de estilo de vida e atuação na comunidade
As orientações de estilo de vida permanecem as mesmas e valem para todos: manter a prática de exercícios, adotar uma alimentação saudável com teor relativamente baixo de sódio, consumir álcool com moderação (se consumir) e controlar o estresse para ajudar a reduzir a pressão arterial. Melhor ainda é também acompanhar como estão amigos e familiares.
"Os clínicos devem colaborar com líderes comunitários, sistemas de saúde e serviços para implementar o rastreamento de todos os adultos em suas comunidades e implementar recomendações baseadas em diretrizes sobre prevenção e manejo da pressão alta para melhorar as taxas de controle da pressão arterial", dizem as diretrizes.
As novas diretrizes foram publicadas em Hipertensão e Circulação.
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