O Smart #5 Brabus chegou querendo chamar atenção pelo desempenho, mas foram outras qualidades que, no fim, falaram mais alto.
Um detalhe divertido deixa claro o quanto as coisas mudaram: dá para estacionar um fortwo entre os eixos do Smart #5 e ainda sobra espaço. Ou seja, esta definitivamente não é a Smart que a gente conhecia. Hoje, a marca se posiciona como fabricante de SUV elétrico com ambições premium, e o #5 é o retrato mais evidente disso.
No caso do #5 Brabus, essa proposta é levada ao limite: um SUV com quase 4,7 m, 2.400 kg, tração integral e 646 cv. Foi justamente a configuração escolhida pela Smart para este primeiro contato - e também a primeira a desembarcar em Portugal.
A marca nos levou ao Vale do Douro, alternando serras e rodovias, para testar não só o desempenho, mas também conforto, espaço e autonomia do #5. A seguir, explico por que ele convenceu (e onde ainda dá para melhorar).
Smart #5 Brabus por dentro: muito espaço e três telas
Mais do que a “força bruta”, o que mais impressiona no #5 Brabus é o interior. Ele não parece grande apenas por fora: além dos 4,7 m de comprimento, o entre-eixos chega a 2,9 m - e isso aparece diretamente no espaço a bordo.
A cabine é arejada e bem confortável, especialmente no banco traseiro: mesmo pessoas mais altas, com mais de 1,8 m, não devem ter dificuldade para "esticar" as pernas. Já o porta-malas reforça a vocação familiar do modelo, com 630 litros de capacidade. Desde cedo, fica claro que o #5 quer ser levado a sério como carro de família.
Em tecnologia, chamam atenção duas telas táteis de 13": uma central e outra à frente do passageiro.
A tela do passageiro aparece apenas nas versões mais completas e permite mexer em várias funções (climatização, multimídia etc.) e até jogar - é bom que não enjoe em carros. Ainda assim, como acontece em outros modelos com esse tipo de tela extra, eu não sentiria falta caso ela não existisse. Já o avatar digital - um leão chamado Leo - é funcional, mas pode ficar inconveniente quando começa a sugerir coisas sem ser chamado.
Outro ponto positivo foi o padrão de montagem, a qualidade dos materiais e o cuidado nos detalhes - exatamente na linha da pretensão premium da Smart. A única ressalva, para mim, é o volante revestido de Alcantara: sob sol forte ele esquenta demais e fica desagradável ao toque.
Vale reforçar: eu estava ao volante do #5 Brabus, a versão topo de linha, mas a expectativa é que as demais configurações mantenham um patamar semelhante de acabamento.
Entre curvas e retas
Vamos ao que salta aos olhos: 475 kW (646 cv) e 710 Nm não são números comuns para um SUV do segmento D - e menos ainda em um carro com o emblema da Smart.
A aceleração é violenta: 0 a 100 km/h em apenas 3,8 segundos com o Launch Mode ativado. No modo Brabus, a resposta vem imediata e pode até parecer um pouco brusca. Por outro lado, se você dosar o pedal com mais delicadeza, o Smart #5 Brabus se mostra cooperativo e fácil de prever.
A tração integral ajuda a manter tudo sob controle, mas, mesmo com tanta potência, o Smart #5 está longe de ser um esportivo. Sim, ele permite andar muito rápido; a direção é precisa - talvez pesada demais no modo Sport - e a carroceria se comporta bem, com movimentos relativamente contidos.
Quando a ideia é explorar todo o potencial, porém, os quase 2.400 kg começam a aparecer, principalmente no quesito frenagem. No fundo, ele continua sendo um SUV grande e pesado que, por acaso, também acelera muito.
Gasta muito?
No tema eficiência, o Smart #5 Brabus não foi exatamente uma surpresa. É justo considerar que este foi um primeiro contato, em que o tipo de condução e o tempo apertado normalmente puxam os números para longe do que a maioria dos donos deve ver no dia a dia.
A marca declara 540 km de autonomia (ciclo combinado WLTP), com bateria de 100 kWh. Só que, neste teste inicial, depois de 241 km entre as curvas do Douro e trechos de rodovia, sobravam apenas 154 km de autonomia (com 38% de carga). Na prática, isso indica algo perto de 400 km por carga, com média de 24,1 kWh/100 km. Dá para fazer melhor.
Por outro lado, o #5 compensa na recarga. Tirando a versão de entrada, todos os #5 usam arquitetura de 800 V, o que permite recargas de até 400 kW e abre espaço para tempos bem agressivos.
Em uma estação adequada, são necessários só 18 minutos para ir de 10% a 80% de carga. Isso pode deixar qualquer viagem em família muito mais simples de organizar.
A melhor relação euro/cavalo do mercado?
Em Portugal, o Smart #5 Brabus parte de 62 400 euros. É caro? Sim. Mas pelo que entrega - especialmente 475 kW (646 cv) e um desempenho que chama atenção -, a relação desempenho/qualidade/preço está entre as mais fortes do segmento.
Estamos falando de 96,5 euros por cavalo e, mesmo entre elétricos, é difícil achar um modelo que entregue tanta potência por tão pouco dinheiro, dentro de um pacote com tantas qualidades. Pelo menos no segmento em que o #5 compete, não encontrei. E a lista de rivais é ampla, indo de Tesla Model Y a Skoda Enyaq, passando pelo Kia EV6, entre outros.
Dito isso, o #5 Brabus não é a versão que eu indicaria como compra mais racional do maior SUV da Smart. O #5 tem trunfos muito sólidos como carro de família - espaço, conforto, tecnologia e qualidade - e o desempenho “balístico” do Brabus até parece deslocado dentro do conjunto.
As versões de maior autonomia (590 km), Pro+ ou Premium - 52 200 euros e 56 900 euros, respectivamente - soam mais coerentes. Elas são apenas de tração traseira, mas já entregam 363 cv. A não ser que você realmente precise de tração nas quatro rodas (abaixo do Brabus existe a versão Pulse), dificilmente será necessário mais do que isso. Algo que confirmaremos em um próximo teste.
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