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Como Trump pode destruir 25% do excedente comercial desta indústria europeia

Carro esportivo azul em exposição numa sala com grandes janelas e gráfico financeiro ao fundo.

O aumento das tensões comerciais entre os Estados Unidos da América (EUA) e a União Europeia “está a ameaçar seriamente a indústria europeia de componentes automotivos”, alerta a Associação Europeia de Fornecedores Automotivos (CLEPA).

Nos últimos anos - sobretudo desde a pandemia de COVID-19 - as vendas para o mercado norte-americano ajudaram a contrabalançar, em parte, a deterioração do saldo comercial entre a Europa e a China.

Ao mesmo tempo, nos últimos cinco anos, as importações europeias de componentes automotivos vindos da China, excluindo baterias, quase dobraram. Esse movimento vem redesenhando de forma profunda as cadeias de suprimento do setor dentro da Europa.

Agora, com a chegada de Donald Trump à Casa Branca, um novo risco ganha força: as tarifas. Como essas medidas podem repercutir na economia europeia ligada ao setor automotivo? A CLEPA divulgou os primeiros indicadores.

O problema das tarifas em euros para os componentes automotivos europeus

Nesta semana, o presidente Trump anunciou tarifas adicionais de 25% sobre o alumínio e o aço europeus importados pelos EUA. Essas tarifas atingem não apenas as matérias-primas, mas também as peças produzidas com esses insumos, incluindo componentes destinados à indústria automotiva.

De acordo com números apresentados pela CLEPA, esse pacote pode eliminar um quarto do excedente comercial da União Europeia no segmento de componentes automotivos, que depende fortemente do mercado norte-americano. Não é magia, é economia.

O excedente comercial anual da União Europeia em componentes automotivos, excluindo baterias e semicondutores, gira em torno de 26,7 bilhões de euros. Considerando que os Estados Unidos respondem por aproximadamente um quarto desse excedente, as tarifas americanas colocam em risco cerca de 6,8 bilhões de euros do saldo comercial da União Europeia nesse setor.

Se esse quadro persistir, a CLEPA alerta para perdas relevantes de empregos e para uma retração do investimento no curto prazo. A indústria de componentes automotivos representa aproximadamente 1,7 milhões de empregos na União Europeia.

Crise do outro lado do Atlântico

Os impactos, porém, não se limitam às exportações diretas para os Estados Unidos. As novas tarifas adotadas por Washington em relação ao México também podem afetar de maneira importante os fornecedores europeus, que na última década investiram cerca de 10 bilhões de euros em fábricas no México.

Com a incerteza aumentando no mercado norte-americano, empresas europeias passam a avaliar alternativas com efeitos financeiros relevantes: transferir operações, absorver custos adicionais ou aceitar perda de participação de mercado.

A urgência de medidas na União Europeia

Diante desse cenário, a CLEPA reforça que a União Europeia precisa, com urgência, reavaliar sua estratégia de comércio e investimento. Em especial, “apostar em parcerias estratégicas com mercados-chave como o Reino Unido, Coreia do Sul, Japão e países do Mercosul torna-se cada vez mais prioritário, a par do fortalecimento da base industrial europeia”.

“Enquanto a Europa enfrenta estes desafios, o seu investimento nas transições verde e digital permanece débil”, avalia a mesma associação. E recorda que “o Investimento Direto Estrangeiro (IDE) no bloco europeu atingiu recentemente o nível mais baixo dos últimos três anos, em claro contraste com os Estados Unidos, que captaram mais do dobro do investimento estrangeiro no mesmo período”, afirmou em comunicado.

Pressionada entre a política comercial protecionista “America First” de Trump e a expansão contínua da influência econômica chinesa, a “Europa encontra-se numa encruzilhada”, sustenta a CLEPA, ao defender três frentes estratégicas: aumentar a competitividade, investir em inovação e valorizar a cadeia de valor industrial europeia.

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