Sempre que a Mercedes-Benz revela um novo Mercedes-Benz Classe C, isso vira notícia - afinal, trata-se de um dos carros mais vendidos da marca alemã. Desta vez, o destaque é ainda maior porque, pela primeira vez na história, ele passa a ser elétrico.
Pouco depois de a BMW ter mostrado o iX3 e o i3, a Mercedes-Benz reagiu com o GLC elétrico, que já tivemos a oportunidade de dirigir (assista ao vídeo), e agora apresenta o Classe C elétrico. Dá para dizer que o jogo está oficialmente aberto.
Esse novo Classe C elétrico traduz a mudança de rota da marca nos modelos a bateria, sobretudo no design, depois de EQS e EQE não terem alcançado o sucesso comercial esperado.
Assim como já vimos nos novos CLA, GLC e GLB, o Classe C elétrico se aproxima muito mais do visual do seu equivalente a combustão - que seguirá à venda. A estrela também passa a mirar segmentos com potencial de maior volume, onde até pouco tempo tinha presença mais limitada com EQA e EQB.
Um Mercedes-Benz Classe C elétrico… diferente
Embora adote proporções e referências visuais do Classe C a combustão, o novo Classe C elétrico preserva pouco (ou quase nada) da receita tradicional. A primeira ruptura está na saída da carroceria clássica de três volumes: em seu lugar, surge um tipo de fastback com forte inspiração de cupê. Ainda assim, ele mantém a abertura do porta-malas típica de três volumes, sem integrar o vidro traseiro ao conjunto, como acontece, por exemplo, no Audi A5.
Na frente, aparece uma grade enorme, praticamente “copiada” da que vemos no GLC. Ela é ornamentada com 1050 pontos iluminados, o que cria um visual bem mais marcante e ousado do que o dos EQE e EQS.
Atrás, ele repete a solução da “máscara” preta conectando as lanternas, já usada no GLC, além das assinaturas luminosas com o desenho da estrela de três pontas. Fechando o conjunto, há um pequeno spoiler posicionado acima da tampa do porta-malas.
Compêndio tecnológico
A Mercedes-Benz define este como o Classe C mais espaçoso de todos, em grande parte por conta dos 2,96 m de distância entre-eixos anunciados.
Isso aparece claramente no espaço do banco traseiro, mas também no porta-malas: são 470 litros de capacidade, aos quais se somam 100 litros extras no compartimento dianteiro (frunk). Para efeito de comparação, o Classe C a combustão oferece até 455 litros (nas versões não eletrificadas).
Mas o interior do novo Classe C não se resume a espaço. Assim como aconteceu com o GLC, ele se apoia em um pacote tecnológico de peso: ambos podem receber o enorme MBUX Hyperscreen (opcional), com 99 cm de largura e 39,1”, ocupando praticamente todo o painel.
A seleção de materiais também chama atenção, assim como o sistema de som 4D assinado pela Burmester. Ele pode trabalhar em conjunto com a ventilação dos bancos e a função de massagem, ampliando a sensação de conforto a bordo - e o modelo ainda pode contar com um “céu estrelado”.
É exatamente isso: o teto panorâmico do Classe C usa tecnologia de cristais líquidos, capaz de alternar de transparente para opaco quase instantaneamente, além de transformar o ambiente em um céu estrelado.
Até 760 km de autonomia
Por enquanto, a Mercedes-Benz revelou apenas a versão C 400 4MATIC, equipada com dois motores elétricos, totalizando 360 kW (489 cv). Segundo a marca, ela precisa de apenas 4,1s para ir de 0 a 100 km/h. Como já vimos no CLA e no GLC, há uma solução pouco comum: um câmbio de duas marchas integrado ao eixo traseiro, que alterna o foco entre aceleração e eficiência.
Essa configuração traz uma bateria de íons de lítio NMC (níquel, manganês, cobalto) com 94,5 kWh de capacidade útil, garantindo autonomia de até 760 km no ciclo combinado WLTP. Assim como o GLC, que estreou a mesma plataforma MB.EA, ele adota arquitetura elétrica de 800 V, permitindo carga de até 330 kW em corrente contínua (DC) - o suficiente para recuperar 320 km de alcance em apenas 10 minutos.
Com a ajuda de um conversor adicional, o sistema também aceita carregamento em estações rápidas convencionais de 400 V, além de oferecer carregamento bidirecional (V2L).
No ano que vem, chegam outras versões do Classe C, e a Mercedes-Benz promete uma variante de tração traseira capaz de rodar cerca de 800 km com uma única carga.
Ainda assim, vale lembrar que o principal rival deste modelo, o BMW i3, já declara 900 km de autonomia (ciclo WLTP), graças a uma bateria de 113 kWh. Você pode conhecê-lo em detalhes neste vídeo:
Suspensão inteligente
Na prática ao volante, o Classe C usa diversas soluções que já experimentamos no GLC. O principal destaque é a suspensão a ar com tecnologia preditiva e Car-to-X, capaz de se comunicar com outros veículos e, assim, antecipar irregularidades no asfalto para ajustar o amortecimento.
Com essa suspensão inteligente, o Classe C promete um nível de conforto inédito na história do modelo - e, ao mesmo tempo, quer ser o Classe C mais esportivo de todos. Parece contraditório, mas a Mercedes-Benz aposta em um recurso para cumprir a promessa: eixo traseiro direcional.
As rodas traseiras conseguem esterçar até 4,5º, melhorando a agilidade em curvas e ajudando a “disfarçar” o tamanho e o peso do Classe C. De quebra, reforça a estabilidade em velocidades mais altas, em rodovias.
Quando chega?
A Mercedes-Benz ainda não anunciou o preço do novo Classe C elétrico para Portugal, nem confirmou a data de lançamento no mercado, mas a expectativa é de que isso aconteça ainda este ano.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário