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Parece um Tesla mas troca baterias em três minutos. Conduzimos o Onvo L60

Carro elétrico prata Onvo L60 em showroom moderno com vidro panorâmico e piso de mármore.

O nome pode não ser dos mais criativos, mas vale memorizar: Onvo L60. Um SUV que faz da troca de baterias um dos seus grandes diferenciais.


Ao lançar uma marca nova, conquistar reconhecimento é parte essencial do caminho. Nesse ponto, a Onvo - que faz parte da chinesa NIO - acertou ao apresentar o L60: o visual externo é simpático à primeira vista e cria identificação imediata.

Mesmo assim, dá para notar algumas referências: visto de perfil, lembra a Tesla; na dianteira, os faróis em formato de boomerang remetem à Polestar. E dá para ir além nas analogias… o conjunto traseiro, no geral, traz à memória o BMW X4.

Déjà vu (com Onvo L60)

Por dentro, também surge aquela sensação de déjà vu - cada vez mais comum nos painéis minimalistas da era digital. Há um volante com base achatada e apenas dois comandos giratórios de cada lado. Onde foi que a gente já viu isso…

Na prática, depender da tela para quase tudo é menos conveniente e também menos seguro do que ter botões físicos dedicados. E, se houvesse um logotipo da Tesla em algum canto, seria fácil acreditar que se trata de um Model da marca.

A central multimídia do Onvo L60 tem 17,2”. O head-up display (13”) vem de série, assim como o chamativo sistema de som Dolby Atmos 7.1.4, com 18 alto-falantes e 1000 W. Para completar, há iluminação ambiente com 16 milhões de cores, que ajuda a criar um clima especial de entretenimento a bordo do Onvo L60.

Qualidade e espaço que convencem

A percepção de acabamento chega ao patamar da NIO - um nível bem alto -, especialmente se pensarmos no novo ET9, que se destaca nesse quesito. Ainda assim, o L60 entrega superfícies macias ao toque e agradáveis. A montagem passa sensação de solidez e, em todo caso, parece melhor do que o que se encontra no interior do Tesla Model Y.

E espaço é um ponto forte: com entre-eixos de 2,95 m (e 4,82 m de comprimento), o L60 oferece muita folga na frente e, sobretudo, na segunda fileira com três assentos - inclusive para passageiros com mais de 1,80 m. Em contrapartida, o porta-malas de 495 litros o coloca entre os menores do segmento.

Esse interior também foi pensado para mudar rapidamente de “ambiente”, com configurações imersivas e personalizáveis - algo que costuma agradar bastante o público asiático. Com um toque em um botão, a cabine se ajusta aos programas "Sestas, Oásis, Acampamento, Conforto e Animais de estimação". Na segunda fileira, há ainda uma tela central de 8”.

A separação necessária entre o Onvo L60 e os modelos NIO aparece também nos assistentes de condução. O L60 traz 30 sensores, incluindo um radar de imagem 4D, capaz de detectar, mapear e acompanhar simultaneamente diversos objetos em movimento, em alta definição.

É um conjunto tecnológico relevante, mas fica abaixo do que um LiDAR - mais caro - pode oferecer, já que esse tipo de sensor consegue identificar obstáculos mesmo com pouca luz e a distâncias maiores, como acontece nos veículos da NIO.

Por isso, é provável que o piloto automático Nível 2++ não entregue a mesma precisão sob chuva ou em baixa visibilidade quando comparado a um NIO. Porém, como o dia estava bem ensolarado em Guangzhou, na China (onde fizemos a experiência ao volante), as condições eram ideais e o teste não exigiu tanto.

Onvo L60: condução em estrada

Como outros elétricos, o L60 reage com rapidez nas acelerações intermediárias, mas também no 0 a 100 km/h, que ele cumpre em apenas 4,6s. Já a velocidade máxima de 203 km/h tende a não gerar queixas - nem mesmo de clientes alemães, acostumados às altas velocidades permitidas em muitos trechos de autobahn.

No trânsito bastante carregado da metrópole de Guangzhou, o torque imediato do crossover elétrico ajuda a sair da “anarquia” local com tranquilidade. Ainda assim, rodamos a maior parte do tempo no modo Comfort e, com isso, sem explorar os últimos kW disponíveis no modo Sport.

Quem dirige com mais suavidade e/ou sem tanta pressa pode preferir o modo de economia, que adiciona até 80 km de autonomia extra sem precisar desligar o ar-condicionado. Outra alternativa é ajustar tudo ao gosto do motorista no programa "Individual".

A suspensão filtrou com bastante conforto os asfaltos bem cuidados por onde passamos - talvez até mais do que o motorista europeu médio costuma apreciar. Pode ser que a equipe de P&D da NIO no Reino Unido tenha de buscar um acerto um pouco mais firme/esportivo, em favor da estabilidade. Se isso acontecer, seria uma boa oportunidade para deixar a direção mais direta e com um pouco mais de peso.

Com a regeneração no nível mais fraco (há três níveis à escolha, mas não existe função one pedal drive) e após um bom trecho em rodovia, o consumo final indicado no computador de bordo foi de 17,9 kWh/100 km - um valor aceitável, porém bem acima dos 14,8 kWh/100 km anunciados.

Três opções de bateria

Neste começo de trajetória, o Onvo L60 pode sair de fábrica com duas capacidades de bateria: 60 kWh e 85 kWh. Mais adiante, a bateria de 100 kWh vai completar a gama e promete mais de 1000 km por carga (no ciclo CLTC). Já no mais realista ciclo WLTP, a expectativa é ficar entre 750-800 km.

O nosso Onvo usava baterias LFP de 60 kWh (da FinDreams, subsidiária da BYD) e entregava 340 kW (462 cv): 100 kW (136 cv) na frente e 240 kW (326 cv) atrás. Ou seja, com tração integral.

No início do teste, o sistema mostrava 86% de carga e 451 km de autonomia estimada - não muito distante dos 555 km prometidos para 100% de carga.

A bateria menor carrega bem (150 kW), mas sem ir além disso. Ela consegue ir de 10% a 80% em 25 minutos. Era de se esperar um resultado melhor, considerando que o L60 adota arquitetura elétrica de 900 V.

Vale destacar o desempenho em recarga com temperaturas negativas, um ponto do qual os chineses fazem questão de se orgulhar: segundo a marca, a bateria do Onvo L60 vai de 10% a 80% em 52 minutos, quase metade do tempo exigido pelo Tesla Model Y (95 minutos) para a mesma operação.

Há ainda bomba de calor de série e recarga bidirecional, permitindo usar o Onvo para alimentar dispositivos externos com até 3,3 kW.

Como alternativa, usuários chineses podem ir até uma estação de troca de baterias de quarta geração da Nio e sair com uma bateria “cheia” em apenas três minutos - algo que também pudemos testar. O carro entra de forma autônoma na estação de troca, e todo o processo acontece de maneira rápida e simples.

Preços e impacto no mercado europeu

Na China, o L60 parte de cerca de 27 000 euros (206 900 yuan)… ou fica próximo de 20 000 euros se o cliente escolher alugar a bateria em vez de comprá-la.

Na unidade que testamos, com tração nas quatro rodas, o preço-base sobe cerca de 20 000 yuan, levando o total para um valor marginalmente abaixo de 30 000 euros.

Com a bateria de 85 kWh, o preço aumenta mais 29 000 yuan (uns 3900 euros, chegando a cerca de 33 500 euros), mas a Onvo oferece um desconto de quase 7500 euros caso o cliente opte pelo aluguel da bateria - o que faz com que ele tenha uma mensalidade de 79 euros.

No mercado doméstico, o impacto tem sido forte: mais de 20 000 unidades do Onvo L60 foram vendidas nos primeiros 100 dias de comercialização.

Já na Europa (onde a Onvo só deve desembarcar em 2026), as tarifas aplicadas a fabricantes chineses devem inflar os valores para sempre acima de 35 000 euros nas versões mais acessíveis do L60 (algo em torno de 39 mil euros no caso da unidade testada), já com a bateria incluída.

A alternativa de aluguel da bateria talvez também não tenha grande força no mercado europeu. O total de estações de troca de baterias é de apenas cerca de meia centena nos países europeus em que a NIO já atua.

Veredito

Especificações técnicas

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